Movimentos de diversos municípios do Amapá participam da Marcha Nacional de Mulheres Negras em Brasília

A comitiva com mais de 200 participantes levou a diversidade territorial do estado à capital federal, reafirmando projeto político por dignidade e equidade.

A II Marcha Nacional de Mulheres Negras, realizada ontem, 25 de novembro, em Brasília, reuniu cerca de 300 mil mulheres de todo o mundo. Entre elas, mais de 200 mulheres e meninas do Amapá marcaram presença, levando a diversidade de seus territórios e comunidades. Sob o tema “Por Reparação e Bem Viver”, o grupo amapaense levou as vozes da Amazônia para o debate nacional sobre equidade e direitos, reafirmando um projeto político de nação que visa assegurar dignidade para todas, pautando temas essenciais como reparação histórica, bem viver, racismo ambiental e saberes ancestrais.

Para Teca de Jesus, representante do Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA), a marcha foi maravilhosa, destacando a ampla diversidade de participantes que ia além do ativismo tradicional do movimento negro. Ela ressaltou a presença de mulheres de todo o Brasil e a participação de diversos setores, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos, incluindo os de professores universitários, além de poucas, mas muito participativas, representações de outros países.

“Nessa Marcha, cada região do país tinha um trio elétrico onde todas as lideranças de movimentos podiam fazer falas, o Amapá foi muito bem representado, o IMENA conseguiu liderar um comitê e conseguimos levar 100 mulheres, todas indo devido a grande mobilização que foi feita. Éramos mulheres jovens, velhas, crianças e adolescentes. Sabemos que outros comitês foram montados além do nosso, como o da CONAQ e o da CUF que levaram representantes, também”

O Comitê Impulsor da II Marcha no Amapá realizou uma intensa mobilização local, nos últimos meses, envolvendo mulheres negras de diversos municípios, como forma de garantir a diversidade e participação. Luana Farias é ativista do Coletivo de Mulheres Negras do Oiapoque (COMUNEO) ressalta o tema da marcha “Por Reparação e Bem Viver” e reivindica respeito ao território. 

“Queremos a Amazônia viva, pois é de onde sai o nosso alimento. Queremos respeito aos nossos corpos, queremos o direito à vida. Então estamos aqui por todas aquelas que não podem estar. Estamos em marcha, estamos em luta e na resistência negra”, diz. 

Representante do Utopia Negra Amapaense, Alicia Miranda sublinhou a magnitude do evento, destacando que a experiência é “extremamente importante para qualquer mulher negra jovem.”

A ativista do Utopia Negra Amapaense defende que o debate sobre Bem Viver é essencial para garantir a dignidade da população negra, citando o aumento da violência policial, a liderança em rankings de desigualdade e as diversas expressões de violências raciais e de gênero que atingem as mulheres negras.

“É muito importante para as mulheres negras de todas as regiões debater o bem-viver, pois isso nos atravessa em diversas formas de violência e desigualdade, como a perda de filhos e a liderança em rankings. Marchamos por reparação, por um país que até hoje não vê o racismo como algo estruturante, onde as mulheres negras não são lidas como pilares de sua sociedade”, diz Alicia.

O Comitê Impulsor da II Marcha no Amapá foi lançado oficialmente em 26 de julho, esforço contínuo impulsionado pela Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira (NAB) e pela Articulação Nacional de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). 

Uniu forças de 12 organizações da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos das mulheres negras, quilombolas, rurais e da população LGBTQIAPN+. Entre elas, a Articulação de Mulheres da Amazônia – AMA; a Associação de Moradores e Produtores Remanescentes de Quilombolas da Comunidade do Rosa – AMPCROR; Associação de Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú; Coletivo de Mulheres Negras de Oiapoque – COMUNEO; Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana – FONSAPOTMA; Grupo de Homossexuais Thildes do Amapá – GHATA;  Instituto de Mulheres Negras do Amapá – IMENA; Instituto EcoVida; Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Amapá – SINDOMÉSTICA; Sindicato dos Servidores Públicos do Amapá – SINSEPEAP; União dos Negros do Amapá – UNA; Utopia Negra Amapaense; União de Negras e Negros pela Igualdade – UNEGRO/AP e Habitar Amapá.

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